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Placa de carbono nos tênis de competição: futuro certo ou incerto? – Ativo

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Desde a entrada do Nike Vaporfly 4% em 2017, a Nike criou
uma “revolução” no mercado de tênis de competição ao inserir uma placa de
carbono no modelo e “inspirou” alguns de seus principais concorrentes: Hoka,
New Balance, Saucony e Skechers.

Falo especificamente destas quatro marcas porque a Hoka lançou este ano dois modelos com placa de carbono, o Evo Carbon Rocket e mais recentemente o Carbon X; a New Balance está prestes a lançar o FuelCell 5280 e o FuelCell Racer (concorrente direto do Vaporfly), está com lançamento previsto para início de 2020; a Skechers já programou o lançamento do modelo Speed Elite para dezembro; e a Saucony já tem um modelo com placa de carbono sendo utilizado por alguns corredores e triatletas patrocinados –  a marca ainda não apresentou o modelo de tênis ao mercado, assim como não informou uma data oficial de lançamento.

Pelo que conheço da empresa até pela oportunidade de ter trabalhado alguns anos atrás na operação brasileira, a direção não deve perder o “timing” de lançamento, diante da concorrência acirrada dos modelos com placa de carbono.

Outras marcas como Altra, Asics, Brooks, Mizuno, e On Running  (estou considerando estas que estão  em maior conexão com corredores), ainda não se pronunciaram se já estão trabalhando em algum lançamento com placa de carbono futuramente.

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Marcas sem modelos com placa de carbono

Altra

Como a marca tem uma característica própria em todos os seus
modelos que é o drop zero e a forma larga, com os tênis tendo boa aceitação
entre corredores e triatletas, não acredito que eles entrarão na onda da placa
de carbono.

Asics

Acredito que os japoneses deveriam se preocupar inicialmente
em lançar um tênis bem leve rápido e macio, e sentir como será a aceitação do
modelo entre corredores e triatletas, para a partir daí desenvolver algum
modelo de competição com uma placa de carbono inserida na entressola.

Vale lembrar que quando a Hoka lançou os primeiros modelos com perfil de entressola alto e teve sucesso, em virtude da maciez e leveza, a Asics lançou um modelo chamado 33-M, que tinha altura parecida com a do perfil de entressola do Clifton 1.

Porém a semelhança era só no visual. O tênis nunca emplacou. Chegaram a fazer a segunda edição, mas ele deixou de ser fabricado. Recentemente foi lançado o modelo Metaride que pelo que percebo não vai dar em nada.

Brooks

Se a marca priorizar o slogan “corra feliz”, acho difícil
investirem tempo em dinheiro em um produto de competição.

Mizuno

O conservadorismo dos japoneses de Osaka pode ser um
obstáculo. Caso resolvam entrar neste mercado, terão que acelerar.

On Running

Assim como a Altra, eles têm uma característica própria com relação ao design de solado e entressola. Talvez não tenham interesse em entrar no embalo.

Sobre as marcas que já têm tênis no mercado ou que ainda devem lançar modelos com essa tecnologia.

Marcas com modelo de placa de carbono

Nike

Foi a pioneira neste mercado com o lançamento do Vaporfly, que já está em sua terceira edição. O primeiro lançamento em 2017 foi o 4%, ano passado foi o Flyknit e este ano foi a vez do Next %.  A principal mudança entre os três é a malha de cabedal e forma. No caso do Next %, o desenho de entressola e solado é parecido do modelo Vaporfly Elite, utilizado por Eliud Kipchoge no Breaking2.

No triathlon, o Vaporfly “nada de braçadas” em relação aos concorrentes entre os profissionais, isso levando em conta que entre os atletas que o utilizam talvez só um ou dois tenham um apoio da marca – e praticamente invisível.

Além do Vaporfly, há o modelo Zoom Fly que também está na terceira edição e possui placa de carbono. São modelo com design parecido, porém completamente diferentes em relação às características de densidade de espuma de entressola e resposta de cada modelo.

Hoka

Talvez poucas pessoas irão se lembrar que a Hoka chegou a
apresentar um  modelo com placa de
carbono no final de 2015, quando lançou seu primeiro modelo de competição o
Tracer. Era para ser lançado o EVO Rocket com placa de carbono, mas o modelo
nunca chegou ao mercado.

No início de 2019, a Hoka lançou o EVO Carbon Rocket, que
nada mais é do que o EVO Rocket apresentado em 2015, agora com “Carbon” no nome
e um novo design. Em maio passado foi a vez do lançamento do Carbon X, e ao que
parece está tendo maior aceitação entre triatletas amadores e profissionais.

New Balance

Em setembro, o modelo FuelCell 5280 chega ao mercado sendo o
primeiro lançamento da marca com placa de carbono. Um tênis muito específico,
que não é para qualquer um. É praticamente uma sapatilha de pista sem pregos e foi
desenvolvido em colaboração com a americana Jenny Simpson, uma das atletas
patrocinadas pela marca, para ela vencer a tradicional prova de Nova York “Milha
da 5ª Avenida”.

É um tênis para provas curtas. No meu ponto de vista, aqui
no Brasil este modelo não tem mercado, assim como o RC5000, também um modelo de
competição para provas de 5km e 10km e que se assemelhava a uma sapatilha de
pista.

No final de 2019 ou início de 2020, o segundo lançamento da
marca com placa de carbono será o FuelCell Racer, modelo que já está sendo
utilizado pelo triatleta Sebastian Kienle em provas de Ironman. Este certamente
será o modelo que irá brigar com Vaporfly, Carbon X, EVO Carbon Rocket e os
futuros lançamentos.

Saucony

Quem está ajudando no desenvolvimento do futuro lançamento
com placa de carbono da marca é o atleta olímpico Jared Ward. O tênis já está
sendo utilizado por alguns corredores e pela triatleta profissional Linsey
Corbin, patrocinados pela marca. O protótipo ainda é uma incógnita, pois não há
nenhuma informação sobre o produto e nem quando será lançado.

Skechers

Quando a Skechers lançou o Razor 3 Hyper, com a nova espuma de entressola chamada de Hyper Burst, o tênis foi bem aceito entre corredores e triatletas e esgotou rapidamente em sites especializados e no próprio site da Skechers USA. Depois de um tempo, a demanda normalizou.

Tive a oportunidade de experimentar um Razor 3 e achei
parecido de resposta com o Vaporfly 4%, apesar de não ter a placa de carbono. O
modelo Speed Elite Hyper com placa de carbono será lançado no mercado americano
em dezembro e deve chegar ao Brasil em fevereiro.

O futuro da placa de
carbono

Não acredito que isto irá virar uma “febre” entre as marcas. Por exemplo no caso da Hoka, se o Carbon X apresentar uma demanda muito maior em vendas do que o EVO Carbon Rocket, independentemente das características técnicas e particulares de cada modelo, é certo que o EVO Carbon Rocket em algum momento será sacado da coleção.

O próprio New Balance FuelCell 5280, que será lançado em breve, é um modelo muito específico e para pouquíssimos corredores com uma mecânica de corrida favorável ao tênis, além de um ritmo “bizarro” (entenda-se algo abaixo de 3min/km), em provas de até 5km.

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Com o Vaporfly, que está em sua terceira edição, talvez seja difícil para a própria Nike estabelecer um “prazo” de validade de quantas edições existirão apesar da alta demanda de vendas. É o consumidor quem vai decidir até quando vale pagar 250 dólares.

No momento a Nike está bem à frente da concorrência em relação aos modelos já lançados com placa de carbono e os que ainda serão lançados.

Há eficiência da
placa de carbono nos modelos de competição?

Começando pelo Vaporfly. Se a placa de carbono ou o conjunto inteiro fossem todo o diferencial para Eliud Kipchoge baixar das 2hs, isso já teria acontecido na primeira tentativa em Monza.

Eu gostaria de vê-lo em uma próxima maratona que vier a correr, ou especificamente no desafio em Viena, correndo com o Zoom Streak 7 e analisar os dados referente aos tempos com o que ele já fez de Vaporfly.

Imagine se ele tivesse a liberdade e autonomia de poder
correr, caso quisesse, com um Streak 7 em Viena, e estabelecesse seu melhor
tempo para a distância? Ele não só iria “enterrar” o Vaporfly no mercado, como
faria com que as marcas rivais revessem o planejamento de lançar modelos com
placa de carbono.

Outro caso que analisei foi o Mundial do Ironman Havaí 2018.
O alemão Patrick Lange, que chegou em primeiro sagrando-se bicampeão da prova,
teve a melhor corrida do dia com 2h41in31s correndo quase “descalço” com um New
Balance Hanzo.

O primeiro e segundo Vaporfly que cruzaram a linha de chegada foram do australiano Cameron Wurf, na nona posição com 3h06min18s, e o austríaco Michael Weiss, com 3h00min02s.

Certamente ambos não estavam nos seus melhores dias de corrida em Kona, mas mesmo que estivessem o Vaporfly não faria milagres. E é difícil dizer que se o Lange tivesse corrido com um Vaporfly faria abaixo do seu melhor tempo de corrida em Kona, que foi em 2017 também correndo de New Balance Hanzo, marcando 2h39min59s.

Alguns estudos que li a respeito do Vaporfly mostram que é
um tênis mais rápido com relação a tempo de contato com o solo, propulsão,
economia de energia, etc. Porém o estudo é sobre o conjunto.

Difícil dizer se o avanço se dá mais por conta da placa de carbono do que a densidade de espuma mais macia presente nele. Atualmente o modelo que acho ter uma resposta de aterrissagem e decolagem próxima ao Vaporfly é o Skechers Razor 3 Hyper, sendo que não tem placa de carbono.

Ainda não dá para garantir que o Speed Elite, que terá a
mesma espuma de entressola do que o Razor 3, porém com placa de carbono, será
melhor.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos deste
mercado. Lembrando que estes modelos com placa de carbono são modelos de
competição, e modelos de competição nunca foram e nunca serão os responsáveis
por fechar a conta das marcas no “azul”.

Fonte Oficial: Ativo.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Portal Corrida.

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